Dehors: tensão, caos e contemplação do ruído vertiginoso

O que é o Dehors? Qual o propósito de tal? Por que o ruído?

Estas perguntas acima são fundamentalmente desnecessárias, visto que, a parcela de “pistas” que traçariam o conceito de cada obra do projeto(?) não parece necessariamente trazer algo concreto ou que possa apresentar alguma clareza sob o que é ouvido. Mas, aí fica outra questão muito mais importante a respeito disto: qual o motivo para buscar respostas tão objetivas? Simplesmente não há. No primeiro álbum (dehors), por exemplo, todas as faixas estão dispostas em numerais crescentes (1., 2., 3., 4.) e possuem a mesma duração (2 minutos e 36 segundos), além de, apesar de uma gravação de campo aqui e acolá, apresentarem uma rispidez tipicamente punk e timbres sísmicos à la black metal.

O black metal é uma forma de punk.

No lançamento posterior, The Black Metal Mixtape, já conseguimos notar o anseio pela ruptura. A utilização da ideia de “mixtape de black metal” não está diretamente ligada à uma antropofagia musical, pois nota-se que a estrutura, típica do gênero em questão, é estendida num ponto próximo da “destruição” – próximo para que o elo com o esqueleto black metal ainda exista e para que não haja o “caos total”. Henrique Barbosa Justini, em uma resenha no site Floga-se, descreve bem esse paralelo de saturação e quebra:

“… o black metal precisava sair da própria conceituação pra deixar de desempenhar um papel específico. Não se trata de subverter nada. Mas sim propor uma nova assimilação do black metal além-gênero. É uma reafirmação originária. É uma continuidade de sons sufocantes que sinaliza uma marca além de algo que pensávamos estar estabelecido.”

Agora, a fim de efetivamente explorar novos estímulos sensoriais, o Dehors acaba de lançar um trabalho audiovisual abrupto e intenso. O típico harsh noise catártico do projeto ainda está evidente, mas, a novidade aqui é que há um trabalho em vídeo fortíssimo, onde o contraste entre o preto e o branco casa perfeitamente com o som abrupto – e que pesa em nossa mente como uma chuva de meteoritos. Com o decorrer dos minutos, a experiência fica cada vez mais profunda, até sermos completamente envoltos nessa aura “mágica” que o título do vídeo indica.

Importante: caso você sofra de epilepsia fotosensitiva, NÃO recomendamos a visualização do vídeo a seguir.

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