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10 álbuns nacionais lançados no primeiro semestre de 2016 que você precisa ouvir

Como nos últimos meses eu ando meio desleixado no que se refere a publicar posts novos no blog, resolvi mandar uma lista logo com dez álbuns, uma quantidade superior se comparado a quando eu resolvi fazer algo semelhante em 2015. Mas veja bem, apesar de serem dez álbuns, muitos outros dentro dos subterrâneos da música brasileira ficaram de fora; isto é, os selecionados aqui são novamente os que eu achei mais interessante dentro da subjetividade do meu gosto.

Afro Hooligans – Corpo Fundo

O trio paulistano formado por Marcos Felinto, Everton Andrade e Guilherme Henrique se autodenomina como um “projeto xamânico de música eletrônica experimental” e ouvindo este novo álbum é possível entender o porque. Tudo aqui – incluindo o conceito de complexidade e abundância da natureza humana, presente no título – parece ter sido proposto dentro de uma grande trip psicodélica (daquelas que te fazem pensar no sentido da tua própria existência), e essa mistura imperfeita de ruídos com compassos house foi criada de uma maneira que você de fato sente-se abraçado por um misticismo primitivo.

Cadu Tenório & Thomas Rohrer – Fórceps

Fórcepss.m. Instrumento cirúrgico com que se extrai o feto do útero; pinça ou tenaz com que se agarram os corpos que se querem extrair. (Do Lat. fórcipe)

Este “parto difícil”, que o título do registro insinua, tem a ver não só com as duas sessões gravadas e que foram perdidas antes daquela que forma Fórceps,  mas também ao simples fato de que todo tipo de improvisação é algo extremamente complexo. O que o produtor Cadu Tenório e o rabequeiro e saxofonista suíço (radicado brasileiro) Thomas Rohrer fazem é criar a combinação de dois mundos opostos – coisa que Cadu busca a algum tempo -, onde o elo entre esses dois é a eterna aprendizagem de recriar a si mesmo.

Cássio Figueiredo – Presença

Talvez o grande ponto-chave que torne Presença um álbum tão forte esteja no fato de quê quem o ouve possa ter uma percepção dessa “presenção” totalmente diferente de qualquer outra pessoa. Eu senti que os momentos mais calmos são como o frio da penumbra da noite, e os cortes abruptos são como um clarão se aproximando em minha direção; mas veja bem, como eu disse, se você buscar ouvir as faixas, provavelmente terá alguma sensação diferente. O nome de cada som e o som em si também são grandes paradoxos que engrandecem ainda mais o conceito por trás.

Ruídos abafados, vozes, manipulação de cassetes … Tudo soa tão imprevisível e fantasmagórico, mas ao mesmo tempo afetuoso e vivo.

Deaf Kids – Configuração do Lamento

O lamento em questão aqui é a cultura da exploração da América Latina e a forma como esses cariocas enfiam o de dedo nessa ferida é através de uma surpreendente desconstrução do crust. E bom, é inegável que os tribalismos na bateria e os murmúrios de Dovglas Leal trazem também um pouco desse sofrimento… As dissonâncias e a sujeira abrasiva não dão a você uma dor física como a de quem sangrou e não teve como estancar, mas internamente dizimam o seu ego e te jogam uma verdade: o teu lamento de hoje é tão sólido quanto o pó.

Se você está afim de algo agressivo para levantar o astral da sua manhã, coloque esse split bem alto. A primeira parte do disco é a dos paulistas do Desalmado, que apesar da brutalidade, consegue encaixar uma cadência ao som; enquanto a parte dos catarinenses é um grindcore misturado com death metal e crust que é a pura violência sonora. Como de praxe, o extremismo também está presente nas letras de ambas as bandas, com fortes críticas à opressões sociais.

Giant Gutter From Outer Space – Black Bile

Já vi o esse duo curitibano ao vivo  e posso afirmar pra vocês que a coisa toda torna-se ainda mais intensa. O que o Giant Gutter From Outer Space faz em seu primeiro full-lenght é renovar as entranhas que formam a base do seu som tortíssimo; onde cada um dos músicos busca criar algo oposto em relação ao outro, só que, ao mesmo tempo, tudo está conectado. É metal jazzístico que não se importa em soar massivo ou técnico, apenas fluir por si só. Lembrando que o trabalho da dupla Johnny R. Rosa (bateria) e Hernan Borges de Oliveira (baixo) saiu novamente pela selo Sinewave.

God Pussy – Desaparecidos

Para aqueles que acompanham o trabalho do projeto carioca God Pussy, já é fácil notar que Jhones Silva aprecia entregar a experiência mais desconfortável possível a quem está disposto a ouvir. E isso vai muito além da corrosão sonora, pois ele normalmente também costuma retratar, na temática dos seus lançamentos, as angústias do submundo esquecido pela sociedade. Desaparecidos é síntese do desespero humano, como pode ser ouvido logo na primeira faixa, com o sofrimento de mães que perderam o sentido da vida após o sumiço de seus filhos. O release descreve a obra de forma perfeita:

“Pessoas desapareceram – Não existem rastros ou paradeiros – iniciando um mistério duradouro – muitas vezes sem solução – criando uma desestrutura familiar…
Desaparecidos: Onde estão? Pra onde foram? São perguntas sem respostas, são dúvidas cruéis do que pode ter ocorrido, são lembranças vagas e sofrimentos eternos aos familiares… Casos sem respostas apenas dúvidas e estatísticas.”

Gustavo Jobim – Dezoito

Conheci Gustavo pelo álbum Inverno (2014), e bem, se aquela capa gélida representava de maneira perfeita o clima das composições, Dezoito também não foge disso: a capa ensolarada é o frescor e a avidez que o músico encontrou, involuntariamente ou não, aqui. Isso é possível ser ouvido em “Heart and Sound and Soul and Vision” (cujo título é uma junção de uma música do Joy Division e outra de David Bowie), que contém uma contagiante harmonia em espiral. Podemos sentir as influências da Berlin School de Klaus Schulze e Tangerine Dream ao ouvir “The Road”, ou ainda compreender que o título de “For Richard Pinhas” não é apenas um mero detalhe. Entre ruidosas percussões metálicas e sintetizadores minimalistas, temos uma bela ode ao progressive eletronic da déada de 1970.

Metá Metá – MM3

O Metá Metá aos poucos vem ganhando certa popularidade em meios não tão alternativos, porém, o reconhecimento ao trabalho do trio ainda é pequeno se comparado a riqueza e a simbiose musical que vem se renovando a cada lançamento. Aqui há uma urgência enorme – tanto é que foi gravado em apenas três dias – e, inclusive, dá para afirmar que este é o álbum mais pesado e ruidoso que Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França já lançaram juntos. O som é metamorfo, desde o vasta carga jazzística do sax de França, ao incrível repertório de Kiko na guitarra, passando pelas influências tão diversas (e que se fundiram tão homogeneamente) que o baixo de Marcelo Cabral e a bateria de Sérgio Machado trouxeram. Free-jazz, candomblé, samba, art-punk… Tudo é feito e misturado de uma forma muito forte e viva.

Romulo Fróes – Rei Vadio

Rei Vadio é o primeiro álbum de Romulo Fróes como intérprete e homenageia Nelson Cavaquinho justamente no ano em que sua morte completa 30 anos. Entre escolhas de canções menos óbvias e tantas outras deixadas de lado por serem exclusivamente o reflexo de Nelson, Romulo consegue desconstruir sem borrar a beleza melancólica das obras originais. E para tal feito, conta com a ajuda dos seus parceiros de longa data: Rodrigo Campos, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral e Thiago França – este último com um solo free jazz de sax esplendoroso em “Mulher Sem Alma” -; além das ilustres participações de Dona Inah (“Eu E As Flores”), Ná Ozzétti (“Caminhando”), Criolo (“Luz Negra”) e da Velha Guarda Musical da Nenê de Vila Matilde (Vou Partir”). Difícil transcrever em palavras a força que esse tributo possui; reinterpretações que estão naquela linha tênue entre o tradicional e o transgressor… Não é para qualquer um.

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O Bull of Heaven é o titã do tempo na música experimental

Férias e mais férias. Fiz questão de me concentrar em coisas provavelmente improdutivas enquanto estou de folga no trabalho, e descobrir bandas estranhas é um dos meus hobbys habituais.

Os fãs do Bull of Heaven provavelmente devem adorar os momentos de ócio – o que também deve ocorrer com a banda -, já que o BoH costuma lançar faixas com duração de horas, dias e até anos (!). Isso realmente não deve ser fácil de se acompanhar para qualquer ser humano com uma rotina normal para manter. Um exemplo disso é “210: Like a Wall in Which an Insect Lives and Gnaws”, que tem a façanha de ser considerado o álbum mais longo de todos os tempos por ter cinco anos e sete meses de duração (ouça um “extrato” dele abaixo).

O duo, que é formado por Clayton Counts e Neil Keener, soma a incrível marca de 362 álbuns e 97 EP’s em apenas oito anos. Eu não faço ideia de como eles encontram tempo para criar isto tudo, muito menos qual seria o intuito deles, mas é realmente fascinante a forma como tudo é abordado: gêneros musicais tão distintos são representados em diferentes discos. Drone, Dark Ambient, Plunderphonics, Jazz-Rock, Harsh Noise, Psychedelic Rock, Lo-Fi Indie, Post-Rock, Instrumental Hip-hop, Modern Classical, Stoner Rock… A lista parece infinita e, surpreendentemente, tudo é bem feito. Abaixo segue alguns álbuns que estão no youtube – e que não são tão exageradamente longos – para ter a noção dessa variedade sonora.

Jazz-Rock/ Psychedelic Rock:

Experimental Hip-hop:

Drone/Dark Ambient:

Drone/Post-Rock:

Harsh-Noise:

Free-Jazz:

Lo-Fi Indie/ Folk Rock:

Drone-Metal:

Resenha: Juçara Marçal & Cadu Tenório – Anganga (2015)

Apesar do encontro das duas figuras que compõe essa obra terem acontecido anteriormente, o ponto de partida está em “Banquete” (2014), onde Cadu uniu-se ao poeta Márcio Bulk para produzir sons que eram sim baseados no industrial e no noise, mas que eram recheados de vozes delicadas da MPB – a cargo de Alice Caymmi, Bruno Cosentino, César Lacerda, Lívia Nestrovski e Michele Leal. “Banquete” abriu novos horizontes na música de Cadu Tenório e, ainda por cima, facilitou a audição daqueles que ainda consideravam o seu som inacessível.

Já Juçara Marçal, nos trazia no mesmo ano uma voz tão grandiosa e espiritual quanto a presente aqui. “Encarnado”, um álbum único e repleto de guitarras experimentais, foi aclamado com justiça por críticos e fãs da nova música torta brasileira. Juçara explicou ao Noisey como foi o seu processo de aproximação com o noise: “Rolou essa parceria com o Cadu num momento em que a gente no Metá Metá também tá mergulhando cada vez mais num lance de noise, que é completamente diferente, mas já tem um caminho que se aproxima disso. Antes a canção tava mais em evidência e aos poucos a gente tá aprofundando nessa viagem de desconstrução”.

Inicialmente, a ideia era fazer um tributo ruidoso a Dorival Caymmi, mas uma homenagem as tradições afro-brasileiras acabou encaixando-se ainda melhor nessa junção de harmonias tão distintas. O próprio título do álbum é uma reverência ao passado, já que ‘Anganga’ é o nome da entidade suprema do povo banto. As faixas “Canto II”, “Canto III”, “Canto VI” e “Canto VII” foram registradas por Aries Da Mata Machado Filho na década de 20, no livro “O Negro e o Garimpo em Minas Gerais”, baseadas nos cânticos dos mineradores da Chapada Diamantina (MG). Estas ainda ganharam voz por Clementina de Jesus, Geraldo Filme e Tia Doca da Portela nos anos 1980, e foram aqui reinterpretadas por Juçara.

O cuidado com que se é tratada as obras de Aires é impressionante, mas mais fascinante ainda é essa ‘incorporação’ mística que Juçara parece fazer em cada canção; uma entrega fantástica, onde se expele a alma e cada berro é uma forma de exalar um pouco da força secular presente nas letras. Um exemplo disto é “Canto II”, tão doce e tão vibrante, apresenta uma história quilombola onde Cadu cria uma instrumentação que cresce conforme a trama se desenrola. Aliás, Cadu Tenório traz novamente um universo gigantesco de possibilidades sonoras, alçando resultados que acrescentam e muito a aura transcendental do álbum, utilizando instrumentos que vão de violinos a sintetizadores.

“Anganga”, a tão aguardada união entre Juçara Marçal e Cadu Tenório, é muito mais que o encontro do maior nome da cena noise carioca com a voz resplandecente da vanguarda paulista, é uma obra capaz de criar um admirável e único mundo dentro de si próprio. Vale lembrar que o álbum está disponível para download no site da Sinewave e no bandcamp da Quintavant, e sairá ainda em formato físico também pela QTV.

Tracklist:
1. Eká
2. Canto II
3. Grande Anganga Muquixe
4. Canto III
5. Canto VI
6. Canto VII
7. Taio
8. Candombe

Resenha: Liturgy – The Ark Work (2015)

“The Ark Work” é um álbum de dividir opiniões. Você já pode ter lido essa descrição uma dezena de vezes, mas este registro parece trazer dúvidas ainda mais profundas sobre a real qualidade presente aqui: mesmo aqueles que o classificam como ‘genial’ tem uma dificuldade em transcrever o motivo para terem chegado a isto, e essas respostas são as mesmas que faltam aos que o taxam como ‘horrível’. Mas afinal, o que instiga essas questões?

A trajetória anterior do Liturgy traz faces quase completamente distintas do que é ouvido aqui: enquanto “Renihilation” (2009) é cru, bruto e utiliza as características mais simplórias que o black metal pode apresentar; “Aesthethica” (2011) foi uma obra de evolução incrível desses aspectos, subestimando os fãs puristas que caíram alí de paraquedas, além de incrementar o lado extremo com elementos de noise e math rock.

Não sei se o passado da banda resultaria no que é apresentado aqui, ou se é tudo um lunatismo do seu líder pseudo-filósofo Hunter Hunt-Hendrix – aquele que outrora pregou o transcendentalismo e espiritualismo do black metal, seja lá o que isso quer dizer -, mas a absurda mescla de gêneros musicais é o ponto chave, e chega ao seu objetivo: o choque. A mistura de canto gregoriano, metal, art rock, hip-hop e música eletrônica não é de uma maneira convencional, tanto que a impressão é que houve uma “colagem aleatória” em cima de batidas pré-programadas, na maioria das vezes.

Essa colagem toda soa ridícula e estranha, ficando entre o orgânico e o artificial, mas parece que há algo oculto que me estimule a clicar no repeat após o final de cada faixa. Um exemplo claro disto é a canção single, “Quetzalcoatl”: com teclados medonhos, um blast beat repentino e o monótono vocal de Hunt-Hendrix, ela cresce de uma forma viajante e bela, por mais estranho que isso possa ser. “Vitriol”, que é praticamente um rap, impressiona pela falta de emoção, mas curiosamente é empolgante. O sentimento de amor-ódio aumenta ainda mais a cada audição, provando ao menos pra mim que esse é um dos trabalhos mais visionários dos últimos tempos.

Tracklist:
1. Fanfare
2. Follow
3. Kel Valhaal
4. Follow II
5. Quetzalcoatl
6. Father Vorizen
7. Haelegen
8. Reign Array
9. Vitriol
10. Total War

Resenha: Pyramids – A Northern Meadow (2015)

Na lenda babilônica da ‘queda’ do paraíso, o abismo representa a regeneração, a redenção, a expiação e outros termos similares, significando algo como a união do humano com uma mente divina; implicando neste caminho um silenciamento do intelecto e uma entrega a consciência.

Se há alguma forma de exemplificar isto musicalmente, certamente é possível que a resposta seja no som desses texanos. Ao transitar em um ambiente escuro, frio e claustrofóbico, nossos olhos e membros congelam-se e a angústia se encarrega de abraçar qualquer esforço emocional. É sim um passeio sinuoso, mas severamente construtivo.

Em 2008, o Pyramids estreiava com o seu álbum auto-intitulado, misturando junto os diferentes elementos do shoegaze, post-rock, post-black metal, dark ambient, drone e experimental; seu primeiro álbum foi nada menos do que fascinante. Após o lançamento, houve uma variedade de artistas e bandas avant-garde – incluindo James Plotkin, Colin Marston e Blut Aus Nord – remixando o material do Pyramids; e tempo depois ocorreram algumas colaborações com nomes como Nadja, Wraiths, Horseback and Mamiffer, até enfim lançarem o seu segundo full-length, “A Northern Meadow”.

A grande e emblemática diferença no som da banda para qualquer outra, é que eles não podem ser enquadrados como uma banda de metal usando texturas shoegaze; ou uma banda emo utilizando texturas de metal; ou ainda uma banda avant-garde utilizando texturas pop, mas sim uma mistura uniforme e completa de todos os componentes.

Auxiliando o quarteto formado por M. Dean, D. William, M. Kraig e R. Loren, estão William Fowler Collins – um prolífico músico de dark ambient, o guitarrista Colin Marston (Gorguts, Krallice) e
Vindsval (Blut Aus Nord) na bateria eletrônica. A arte da capa merece destaque: uma mulher com mechas de cabelo espalhadas como tentáculos e presas na parede. Enigmática? Assustadora? Não. Apenas agonizante, suável e afrontantante como uma rigidez catatônica.

“In Perfect Stillness, I’ve Only Found Sorrow” começa o álbum de uma forma fria e opressora, parecendo levar-nos a um labirinto onde os caminhos ficam cada vez mais escuros. Já em “The Substance of Grief Is Not Imaginary”, a música em si tem um pouco mais de black metal em uma forma épica, embora ainda com aqueles vocais limpos lindamente cantados. No entanto, há uma tendência de distorção no melhor estilo industrial e de amostragem que adiciona uma ‘crise’ perturbadora para esta faixa. E muitas vezes percebe-se que a utilização dos vocais ‘gritados’ – típicos do screamo – são uma inclusão para enfatizar as emoções.

Enquanto “I Am So Sorry, Goodbye”, como sugere o título, é uma canção extremamente triste e com as guitarras pingando melancolia; “My Father, Tall as Goliath” traz um trabalho com atmosferas e harmonias mais leves. “Consilience” provavelmente se encaixa no projeto de ser a ‘canção de exposição’, mostrando um pouco de tudo que o álbum já teve, mas fazendo isto de maneiras novas, menos abruptas e interessantes.

Tracklist:
1. In Perfect Stillness, I’ve Only Found Sorrow
2. The Earth Melts into Red Gashes like the Mouths of Whales
3. The Substance of Grief Is Not Imaginary
4. Indigo Birds
5. I Have Four Sons, All Named for Men We Lost to War
6. I Am So Sorry, Goodbye
7. My Father, Tall as Goliath
8. Consilience