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Resenha: Archivist – Archivist (2015)

O shoegaze e o black metal parecem que nasceram um para o outro. A parede de guitarras abafando tudo; os vocais desolados (de uma maneira única e profunda em cada um dos gêneros); além do clima geralmente lo-fi, são elementos presente em ambos. Ou seja, existe um elo que une o My Bloody Valentine e o Burzum de uma forma que nem imaginávamos, mesmo que o shoegaze continue sendo visto erroneamente como um subgênero amargurado do rock alternativo dos anos 1990 e o black metal como a mais subestimada forma de vanguarda da mesma década.

Esquecendo conceitos e pré-definições – e enquanto o shoegaze se preparava para o seu revival e o black metal caminhava aberto a novas possibilidades -, surgia na França o Alcest, que se tornaria o nome que moldaria a sonoridade blackgaze, e abriria espaço para uma dezena de bandas que traçariam os mesmos padrões de contrastes entre riffs e vocais claustrofóbicos/ melodias sublimes. Os americanos do Deafheaven lançariam em 2013 o mais popular registro do estilo – “Sunbather” – com um merecido hype que os elevaria muito além das fronteiras headbangers.

Mesmo que já haja uma certa estagnação no movimento, ainda surgem bandas que me entusiasmam com climas sonoros riquíssimos no blackgaze; e o Archivist é o caso mais recente. Em primeiro lugar, mesmo tendo muitos caminhos certamente ainda inexplorados, as composições do Archivist conseguem soar de uma forma despreocupada, mas com fortes e emocionantes melodias; a banda é em parte formada pelo agora dissolvido Light Bearer – por sinal, recomendadissimo grupo de post-metal -, que eram verdadeiros mestres em transmitir emoções.

Vale destacar o uso de vocais dúcteis, e não monótonos, com alguns momentos de grande valor, capazes de dar um ‘up’ em determinados trechos. Estes vocais, geralmente bem sujos, são divididos entre a alemã Anna (Thurm, ex-Amber) e pelo inglês Alex (Light Bearer, Anopheli, ex-Fall of Efrafa). Um pouco dessa experiência pode ser notada na faixa de abertura, “Ascension”, que trouxe sobre mim uma sensação de tristeza incrível, talvez pela forma forte que ela tende a crescer e desaguar em um riff capaz de abrir um buraco na alma. Já o pulo entre os blast beats e os guturais, bem no estilo post-black metal americano, para momentos quase totalmente limpos da faixa “Hades” é assustador; intenso demais.

A parte instrumental também é um lado que merece atenção. As guitarras jogam acordes dos mais variados tipos: riffs maciços, intricados ou simples dedilhados suaves; todos muito bem encaixados. Há pequenas doses de pianos e bateria que varia entre uma bruta parede-sonora e passagens freneticamente complexas à la Bosse-De-Nage. Tudo para servir como trilha-sonora de uma história pós-apocalíptica no mínimo estranha, rodeada de desastres ecológicos, inteligências artificiais malignas e questões existencialistas.

Tracklist:
1. Ascension
2. Escape Velocity
3. Dreaming Under
4. Leaving Day
5. Hades
6. Tying Up Loose Ends in the Cold Void of Space
7. Eureka
8. 4,500

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