Arquivo da tag: Bong

Resenha: Bong – We Are, We Were and We Will Have Been (2015)

Os conceitos sobre o que é e como transcorre o tempo foram sempre contraditórios na filosofia, afinal, como seria possível medir o presente e como compreender a dimensão do “agora”? Já o passado, para alguns, não pode ser tratado como realidade, pois ele é algo que não existe mais e lembranças nem sempre são eternas – mesmo por que os estímulos e as informações vividas podem ser borradas ou simplesmente misturadas no nosso cérebro. Nós não somos bons em perceber o tempo, e isso é o que torna-o tão complexo.

Se formos imaginar a música do Bong como uma representação mística temporal, certamente seria uma forma de demonstrar o conceito do filósofo J. M. E. McTaggart em um campo sonoro. Para McTaggart, em sua “Teoria A”, é possível organizar as coisas na mente conforme elas acontecem – e se formos analisar bem, o drone-metal como um todo é basicamente uma lentíssima construção de minúsculos acontecimentos. Um momento não pode ser passado, presente e futuro, mas uma sequência de riffs propositalmente semelhantes pode burlar essa ideia.

Se em 2014, os britânicos de Newcastle haviam desconstruído o significado do “Stoner Rock” – com um álbum de mesmo nome – ao buscar o lado mais primitivo imaginável do termo, este ano eles retornam com essa invisível reflexão sobre o tempo em seu sétimo disco de estúdio. Ou melhor, nem tão invisível assim, já que o título, cujo significativa é “Nós Somos, Nós Fomos e Nós Teremos Sido”, serve como um complemento das analogias que eu citei no segundo parágrafo. É a volta a sua própria terra intocada, onde paciência e atenção não parecem ser artes perdidas.

A primeira faixa, “Time Regained”, traz as ranhuras de uma nota de guitarra distorcida sendo repetida monotonamente, até colidir com um baixo arrastado e com uma bateria ritualística, onde vozes extramamente psicodélicas complementam a aura apocalíptica dos 17 minutos do som. “Find Your Own Gods” é outra gigantesca música, porém, mais ambiente que a anterior. O colosso dessa segunda música nos faz entrar em uma viagem astral que, aliás, pode ser exemplificada nos seguintes versos: “Encontre seus próprios deuses, não nas tristes capelas e santuários desanimadores, mas sob as pedras e riachos; na névoa e nas colinas; através da luz macia da manhã; atrás da sombra das árvores”.

Tracklist:
1. Time Regained
2. Find Your Own Gods