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Cinco álbuns nacionais lançados no primeiro semestre de 2015 que você precisa ouvir

Primeiramente, é bom citar que eu intencionalmente não quis incluir EPs na lista, e apenas por este motivo não são citados Metá Metá, Herod e Ruido de Maquina (fica aqui a menção honrosa para ambos). Claro, que a lista poderia ter sido maior, mas destaquei os discos nacionais que eu mais ouvi e que mais me chamaram a atenção por algum motivo.

Ava Rocha – Ava Patrya Yndia Yracema

Da safra de lançamentos de artistas da “nova MPB” (se é que podemos chamar assim), a estréia solo de Ava Rocha foi o que mais me agradou. Ela havia lançado “Diurno” em 2011, ainda na banda Ava, onde a sonoridade não é tão livre e experimental como em “Ava Patrya Yndia Yracema”. As influências vão da tropicália ao samba-rock; como no pop-psicodélico de “Hermética” ou nos lindos arranjos em “Doce é o Amor”. Ouça o álbum na íntegra no site da cantora

Cadu Tenório e Eduardo Manso – Casebre

Envolvidos com alguns dos projetos nacionais mais desafiadores e experimentais dos últimos anos, Cadu Tenório (Victim!, Sobre a Máquina) e Eduardo Manso (Bemônio) se unem para este novo registro. As cinco faixas apresentadas aqui trazem uma oferta ampla de variáveis sonoras dentro do que poderíamos esperar de um trabalho pertencente à esfera noise; seja no clima caótico de “Rádio”; no som desconexo de “Descalço” – que possui um clipe feito de uma sequência de fotografias registradas nos anos 50 e 60, resgatadas por Cadu e sua esposa (assista clicando aqui); ou ainda a longa faixa-título, cheia de momentos dramáticos e com muita tensão. Baixe o álbum gratuitamente no Bandcamp.

Jair Naves – Trovões A Me Atingir

Por ter toda uma dose sentimental e reflexiva, a carreira solo de Jair Naves alcançaria algum tipo de intensidade natural, assim como o Ludovic – sua ex-banda. Os caminhos de seu primeiro disco solo – “E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando a Sua Fuga, Cavando o Chão Com as Próprias Unhas” (2012) – são trilhados também aqui, onde cada letra é profunda e relata percalços e transformações ocorridas na vida. Entre o drama e a dor, o instrumental das músicas é incrível, e é até difícil citar apenas um destaque entre a levada que passeia pelo pop-rock, post-punk e indie. Mas me identifiquei muito com “Incêndios (O Clarão de Bombas a Explodir)”, que é também uma das minhas músicas favoritas lançadas este ano.

Kovtun – Androginóforo

Se eu tivesse que dar um único motivo para alguém ouvir “Androginóforo”, afirmaria apenas que é simplesmente a nata da música torta brasileira reunida. Kovtun é na verdade o projeto de Raphael Mandra, de Ribeirão Preto. Mandra convidou um nome diferente da cena experimental nacional para colaborar em cada uma das 14 faixas, onde ele produzia a base do material e cada convidado dava o seu toque final. Entre os participantes do ‘dream team’ estão Gustavo Jobim, Cadu Tenório, God Pussy, Dosanjos e Cássio Figueiredo; naturalmente o som é bem variado no leque de ruídos, indo do Dark Ambient ao Industrial. Ouça “Androginóforo” pelo site da gravadora Sinewave clicando aqui.

Mahmed – Sobre A Vida Em Comunidade

Apostando em toda a infinidade de opções que a música instrumental pode ter, os potiguares do Mahmed lançaram o seu primeiro full-lenght este ano, e que é uma evolução e tanto se comparado ao EP “Domínio Das Águas e Dos Céus”. Como era de se esperar pelo título, o play é uma trilha-sonora para invadir a melancolia do dia-a-dia. Essa visão fria e contemplativa da vida é feita por riffs bem escolhidos e pelas belas construções sonoras que passeiam pelo post-rock, jazz, eletrônica e até trip-hop (“Ian Trip”). Ouça-o pelo Soundcloud.