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Resenha: Have A Nice Life – The Unnatural World (2014)

Criar um termo comparativo sobre o que é o som do Have A Nice Life é quase impossível. Flertando com o post-punk, shoegaze, drone, post-rock e industrial, esse duo traz ecos de influências distintas e únicas, como Joy Division, Swans, Sunn O))), Sonic Youth e My Bloody Valentine.

Formado em 2000 por Dan Barrett e Tim Macuga no estado americano de Connecticut, este projeto assustou os mais ligados na cena experimental em 2008. “Deathconsciousness” foi um disco absurdamente obscuro e gravado de forma caseira, com 90 minutos perturbadores, divididos em duas partes. No lançamento ‘físico’, em 2009, um essencial livreto de 70 páginas veio junto para explicar o álbum – e talvez até deixando mais questões no ar. Alí, encontra-se uma profunda análise sobre Antíoco, fundador de uma seita bizarra do cristianismo no século 13, que equivale essencialmente a um culto da morte. Também é acrescentado no meio disto o slogan do grupo: “a morte é a verdade e a verdade é a morte”. Porém, tudo isso não passa de uma obra-prima da depressão.

A missão de “The Unnatural World” era seguir esta mesma linha de amargura, só que agora enxugada pela metade do tempo, trazendo assim uma solitária descida do abismo ao inferno menos devastadora. Uma prova disso é a empolgante “Defenstration Song”, que soa como um ‘Joy Division do século 21’, e que apresenta estrofes com letras existencialistas: “Eu nunca pensei que eu iria levar esta vida inquieta / Pensei em murchar para baixo, em sacrifício / Não há nada que eu possa fazer para que isto pare”.

Drones ruidosos constroem camadas na curta “Unholy Life”. Já “Guggenheim Wax Museum” é como uma marcha fúnebre percussiva envolta a um redemoinho de sintetizadores. E se a fantasmagórica “Burial Society” tem a capacidade de unir ideias e sons díspares, “Cropsey” apresenta uma lenta e amendrotadora cacofonia: trechos de uma entrevista com um paciente chamado Johnny, do macabro instituto mental Pennhurst, em 1968; berros e pedidos por ajuda são arrepiantes.

Um lindo trabalho de tons escuros. Triste, dramático e emocionante, tudo aqui consegue ser estranhamente desagradável e acessível. Parece que foi moldado especialmente para quem é feliz tendo uma perspectiva negativa da vida.

Tracklist:
1. Guggenheim Wax Museum
2. Defenestration Song
3. Burial Society
4. Music Will Untune the Sky
5. Cropsey
6. Unholy Life
7. Dan and Tim, Reunited by Fate
8. Emptiness Will Eat the Witch