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Resenha: John Coltrane – Offering: Live at Temple University 1966 (2014)

Para os desentendidos, Coltrane foi simplesmente o maior saxofonista da história do jazz, tendo uma gigantesca influência nos modelos mais experimentais do gênero, no nascente fusion, no rock e na música erudita. Sua discografia é bem longa, com mais de 100 registros entre estúdio e ao vivo, mas aqui tem-se um retrato da fase mais “free” do fim de sua vida.

John Coltrane começou a sua trajetória de sucesso em 1955, ao ser convidado por Miles Davis a fazer parte do seu quinteto. Ao lado do genial trompetista, esteve em 21 registros oficiais, dentre eles Kind of Blue, uma das obras mais impactantes da história do jazz. Logo após Live at the Village Vanguard, ele ficaria conhecido como o mais representativo nome do avant-garde jazz e do free jazz, contendo longas improvisações e com solos técnicos e longos. Sua vida teve um fim prematuro: vítima de câncer de fígado, ele morreu em 1967 aos 40 anos.

Nesta apresentação de 1966, Coltrane é acompanhado pela sua mulher Alice Coltrane, no piano; Pharoah Sanders, no sax tenor; Rashied Ali, na bateria; e Sonny Johnson no baixo (que tocou somente neste show substituindo Jimmy Garrison). Além disso, participaram os percussionistas Umar Ali, Algie DeWitt, Charles Brown e Robert Kenyatta, e os jovens saxofonistas Arnold Joyner e Steve Knoblauch. São cinco músicas em 90 minutos de improvisos e técnica. Se há algum defeito, talvez seja a mixagem, em que claramente os saxes têm uma nitidez sonora muito grande e os instrumentos de percussão soam abafados.

“Naima”, cuja gravação de estúdio é de 1959, é extremamente mais livre que a original, prova disso são os seis minutos introdutórios. Aqui há uma improvisação feroz e viajante, com um bom solo melódico de Alice no piano. “Crescent” é explosiva. Incríveis 26 minutos de sons profundos e frenéticos, em que Pharoah Sanders aparece pela primeira vez no sax. “Leo” traz ritmos repetitivos, e John se divide entre o sax soprano e delirantes linhas vocais que ecoam sem direção.

“Offering” tem apenas quatro minutos, mas soa talvez como a mais experimental, momento de Coltrane explorar suas habilidades. “My Favorite Things” é arrepiante desde a introdução de baixo, crescendo e crescendo, o mestre vai conduzindo a sua banda em ritmos intensos, até enfim usar os seus poderes para fazer com que as partículas sonoras rasguem a escuridão.

Ravi, filho de Coltrane e o responsável pela recuperação do registro, explica: “Para mim, a gravação de Temple University é uma afirmação de que, não, ele não esgotou o saxofone. O saxofone foi apenas uma ferramenta, sobre a qual ele teve o comando de mestre. Sua voz era uma extensão do saxofone como o saxofone era uma extensão da sua voz”.

Tracklist:
1. Naima
2. Crescent
3. Leo
4. Offering
5. My Favorite Things

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