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Resenha: Mount Eerie – Sauna (2015)

Phil Elverum é um cantor e compositor modesto e simples; mais conhecido por ser líder do The Microfones, é através do Mount Eerie – seu projeto solo – que ele consegue explanar o lado mais orgânico da sua alma na criação de ambientes extremamente pessoais. Apesar de possuir uma aura mística íntima, a sua música consegue soar universal ao modo com que o ouvinte se aprofunda em suas suaves entranhas.

Definir a sonoridade de qualquer um dos sete álbuns do Mount Eerie é algo difícil, apesar da crueza e introspecção natural, a única certeza é que sempre será algo imensamente afetado pelas suas emoções no momento de composição. Esse é, aliás, o ponto prévio para a concepção da sua música. Phil chegou a viver sozinho numa pequena cabana no norte da Noruega e este álbum foi gravado inteiramente numa capela comprada por ele, convertida em estúdio. Dessa experiência resultou não só “Dawn”, o misto de livro/álbum, mas também algo que parece cada vez menos dissociado da sua escrita, a desolação, o isolamento e uma clara, mas viciante tristeza.

O registro, de produção própria, abre com a faixa-título, que avança lentamente, com drones cuidadosamente mais ruidosos e samples tiradas de – como poderia se esperar – uma sauna e da crepitação de uma lareira, evocando a sensação etérea de isolamento. Prova disso são algumas frases emblemáticas, como “Eu não acho que o mundo ainda exista, só esta sala na neve”, ou “A vida é um pequeno incêndio que carrego por aí”. Esta sensação sufocante de reclusão que ele apresenta é uma constante ao longo do álbum, reforçada pela poesia naturalista de Phil.

Apesar do foco principal no folk e na música ambiente, há claras influências de post-rock e shoegaze nas composições, e até um black metal atmosférico aparece timidamente para acrescentar um clima lo-fi. Músicas como “Spring” trazem atmosferas incrivelmente sinistras, quentes e opressoras; enquanto podemos notar alguns contrastes evidentes entre a caótica “Boat” e a cativante “Planets”. Ele explora com metáforas a forma como simples objetos e experiências mundanas podem ressoar na forma de um acorde, de pé para si e para algo maior, ao mesmo tempo.

Tracklist:
1. Sauna
2. Turmoil
3. Dragon
4. Emptyness
5. (Something)
6. Boat
7. Planets
8. Pumpkin
9. Spring
10. Books
11. This
12. Youth

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