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Resenha: Solefald – World Metal. Kosmopolis Sud (2015)

Discos como “Focus” (1993) do Cynic e “Mabool” (2004) do Orphaned Land me fizeram repensar os limites do metal quando eu os ouvi pela primeira vez. Há um oceano de possibilidades, experimentais ou não, que podem ser fundidas aos padrões metálicos tradicionais; e é incrível quando nascem registros que fogem completamente de explicações lógicas e cujo resultado é apenas a perplexidade.

Formado em 1995 pelo duo Cornelius Jakhelln (vocais, guitarra, baixo) e Lazare Nedland (vocais, teclados, piano, sintetizadores), o Solefald é uma banda norueguesa que tem um pé no principal produto de exportação de seu país (o black metal), e nunca teve medo de arriscar fundir a música extrema com elementos nada convencionais para quem tem uma perspectiva linear. Mesmo que as ideais dos álbuns iniciais soem bem primárias se comparadas a este aqui, os horizontes já eram amplos e notava-se a vontade de não soar apenas simplesmente brutal.

O que se nota é uma banda que não está presa a qualquer restrição musical. Não há nada em exibição aqui que parece estar fora do lugar: cada novo elemento adiciona ranhuras muito bem encaixadas, e isto ocorre com cada uma das oito músicas. Há muita coisa acontecendo, tanto que o raciocínio pode ser difícil na primeira audição, mas de forma alguma isto quer dizer que tudo não seja cativante; onde o título do álbum – “World Metal” – não é figurativo, a intenção é um verdadeiro caldeirão transcontinental mesmo.

Aqui também participam nomes como o baterista Baard Kolstad (Borknagar, ICS Vortex), o baixista Alexander Bøe ( In Vain), o guitarrista Petter Hallaråker (Rendezvous Point) e o tecladista Sindre Nedland (In Vain, Funeral), bem como o renomado instrumentista de world music Anania Ngoliga, de Zanzibar, na kalimba e guitarra tanzaniana.

A abertura com “World Music With Black Edges” poderia muito bem servir como um resumo do álbum: possui percussão tribal, uma boa dose eletrônica, guitarras pesadas e um impecável entra e sai de tudo isso; é uma verdadeira experiência avant-garde. A tolice de “Bububu Bad Beuys” é uma daquelas músicas que se não fosse por ser tão cativante, iria parecer ridícula, mas parece que só o Solefald conseguiria alcançar determinado resultado. A inclusão de vocais incomuns (gritos, rosnandos, grunhindos, ou cantando qualquer coisa que vem à mente) é fascinante.

O ecletismo é forte em “The Germanic Entity”, onde a amigável kalimba enfrenta rosnados típicos do death metal, rajadas precisas e rústicas na bateria e uma parede de guitarras distorcidas. Já “Le Soleil” traz contrastes que vão da música techno holandesa com guturais, a riffs crus com corais; junto deste combo a uma boa sátira no melhor estilo Frank Zappa. O conteúdo lírico presente em canções como “2011, or a Knight of the Fail” merece destaque; aborda os ataques terroristas em Oslo e Utoya em 22 de julho de 2011, conseguindo transportar desamparo e raiva além das letras. E sim, eu poderia ficar escrevendo por dias sobre isto tudo que não conseguiria explicar perfeitamente o poder deste álbum. Qualidades raras cuspidas como erupção vulcânica, e a queima é lenta e penetrante.

Tracklist:
1. World Music With Black Edges
2. The Germanic Entity
3. Bububu Bad Beuys
4. Future Universal Histories
5. Le Soleil
6. 2011, Or A Knight Of The Fail
7. String The Bow Of Sorrow
8. Oslo Melancholy

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